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segunda-feira, 28 de abril de 2008

Para ler e ruminar...


[A capivara não é um boi, mas é um ruminante. E certamente deve se perguntar que raios de gente maluca é essa que ela vê passando todos os dias de um lado para o outro...]


Tão delicados (mais que um arbusto) e correm

e correm de um para outro lado, sempre esquecidos

de alguma coisa. Certamente, falta-lhes

não sei que atributo essencial, posto se apresentem nobres

e graves, por vezes. Ah, espantosamente graves,

até sinistros. Coitados, dir-se-ia não escutam

nem o canto do ar nem os segredos do feno,

como também parecem não enxergar o que é visível

e comum a cada um de nós, no espaço. E ficam tristes

e no rasto da tristeza chegam à crueldade.

Toda a expressão deles mora nos olhos – e perde-se

a um simples baixar de cílios, a uma sombra.

Nada nos pêlos, nos extremos de inconcebível fragilidade,

e como neles há pouca montanha,

e que secura e que reentrâncias e que

impossibilidade de se organizarem em formas calmas,

permanentes e necessárias. Têm, talvez,

certa graça melancólica (um minuto) e com isto se fazem

perdoar a agitação incômoda e o translúcido

vazio interior que os torna tão pobres e carecidos

de emitir sons absurdos e agônicos: desejo,amor, ciúme

(que sabemos nós?), sons que de despedaçam e tombam no campo

como pedras aflitas e queimam a erva e a água,

e, difícil, depois disto, é ruminarmos nossa verdade.


(Carlos Drummond de Andrade – Um boi vê os homens)



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sexta-feira, 18 de abril de 2008

A garça filósofa



Contemplo o lago mudo

Que uma brisa estremece.

Não sei se penso em tudo

Ou se tudo me esquece.


O lago nada me diz,

Não sinto a brisa mexê-lo

Não sei se sou feliz

Nem se desejo sê-lo.


Trêmulos vincos risonhos

Na água adormecida.

Por que fiz eu dos sonhos

A minha única vida?

Fernando Pessoa. Cancioneiro.

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terça-feira, 15 de abril de 2008

The Lady of Shalott

"On either side the river lie
Long fields of barley and of rye,
That clothe the wold and meet the sky;
And through the field the road run by
To many-tower'd Camelot;
And up and down the people go,
Gazing where the lilies blow
Round an island there below,
The island of Shalott.

Willows whiten, aspens quiver,
Little breezes dusk and shiver
Through the wave that runs for ever
By the island in the river
Flowing down to Camelot.

Four grey walls, and four grey towers,
Overlook a space of flowers,
And the silent isle imbowers
The Lady of Shalott.

By the margin, willow veil'd,
Slide the heavy barges trail'd
By slow horses; and unhail'd
The shallop flitteth silken-sail'd
Skimming down to Camelot:
But who hath seen her wave her hand?
Or at the casement seen her stand?
Or is she known in all the land,
The Lady of Shalott?

Only reapers, reaping early,
In among the bearded barley
Hear a song that echoes cheerly
From the river winding clearly;
Down to tower'd Camelot;
And by the moon the reaper weary,
Piling sheaves in uplands airy,
Listening, whispers, " 'Tis the fairy
The Lady of Shalott."

There she weaves by night and day
A magic web with colours gay.
She has heard a whisper say,
A curse is on her if she stay
To look down to Camelot.
She knows not what the curse may be,
And so she weaveth steadily,
And little other care hath she,
The Lady of Shalott."

[Bonito, né? Se quiser conhecer o poema completo, é só clicar aqui. Este é um dos meus favoritos de Tennyson. O quadro é de outro pré-rafaelita, William Holman Hunt, e foi pintado para ilustrar o poema.]

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sábado, 29 de dezembro de 2007

Late afternoon in Manguinhos

Photo by Diva Wizard

It's late afternoon in Manguinhos. The ocean roars and brings memories of times past and of old songs. I always get introspective in late afternoons at the beach, when the sun still shines but it's almost dusk. The lyrics of The Dangling Conversation suddenly came to my mind...

Want to listen? Go to

The Dangling Conversation (Simon & Garfunkel, 1966)

Its a still life water color,
Of a now late afternoon,
As the sun shines through the curtain lace

And shadows wash the room.

And we sit and drink our coffee
Couched in our indifference,

Like shells upon the shore

You can hear the ocean roar
In the dangling conversation
And the superficial sighs,

Are the borders of our lives.


And you read your Emily Dickinson,
And I my Robert Frost,

And we note our place with bookmarkers
That measure what weve lost.

Like a poem poorly written

We are verses out of rhythm,

Couplets out of rhyme,
In syncopated time
Lost in the dangling conversation

And the superficial sighs,
Are the borders of our lives.


Yes, we speak of things that matter,
With words that must be said,

"Can analysis be worthwhile?"
"Is the theater really dead? "
And how the room is softly faded
And I only kiss your shadow,
I cannot feel your hand,
Youre a stranger now unto me

Lost in the dangling conversation.
And the superficial sighs,

In the borders of our lives.

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terça-feira, 20 de novembro de 2007

E os cajus, são símbolo de quê???

I'm back!!!

Saudades do blog, saudades desses diálogos que mantemos por aqui com nossos leitores imaginários e com outros leitores não tão imaginários assim...


Estive em João Pessoa, bela capital nordestina onde eu moraria feliz. Fui a um encontro sobre...vogais (coisas de lingüistas malucos, dirão alguns, mas a gente se diverte discutindo essas coisas, rsrsrs...), onde apresentei um trabalho, junto com uma colega, sobre... a geometria de traços da vogal /a/ (já comentei, em post anterior -
Por Júpiter! -, as belas visões que a busca pela melhor geometria de traços distintivos dos segmentos nos pode proporcionar...) !!!

Voltei impregnada de belas imagens e sensações: o mar muito verde, o pôr-do-sol indescritível, o vento quente, pés na areia, chuva no rosto durante caminhadas matinais, práticas de yoga e...cajus, muuuuuuuitos cajus vermelhos e suculentos, que eu pegava no pé, colado no muro de casa.


Pois é. Cajus... Depois do post da Diva Flower sobre o mamão e a propósito da boa polêmica que está suscitando, não pude deixar de indagar: e o caju, pode ser símbolo de quê???? O que vou(vamos) ver/imaginar ao olhar um caju??? Well.. uma possibilidade interessante: NADA!!! É possível não ver nada em um caju, além de... um suculento caju!!! (Assim podemos comê-lo na santa paz, rsrsrs...)


Sugiro que fiquemos, pois, com Fernando Pessoa (na voz de seu heterônimo Alvaro de Campos):

Álvaro de Campos

Símbolos

Símbolos? Estou farto de símbolos...
Mas dizem-me que tudo é símbolo,
Todos me dizem nada.

Quais símbolos? Sonhos.
Que o sol seja um símbolo, está bem...
Que a lua seja um símbolo, está bem...

Que a terra seja um símbolo, está bem...

Mas quem repara no sol senão quando a chuva cessa,
E ele rompe as nuvens e aponta para trás das costas,

Para o azul do céu?

Mas quem repara na lua senão para achar

Bela a luz que ela espalha, e não bem ela?

Mas quem repara na terra, que é o que pisa?
Chama terra aos campos, às árvores, aos montes,

Por uma diminuição instintiva,
Porque o mar também é terra...
Bem, vá, que tudo isso seja símbolo...

Mas que símbolo é, não o sol, não a lua, não a terra,

Mas neste poente precoce e azulando-se

O sol entre farrapos finos de nuvens,

Enquanto a lua é já vista, mística, no outro lado,

E o que fica da luz do dia
Doura a cabeça da costureira que pára vagamente à esquina

Onde se demorava outrora com o namorado que a deixou?

Símbolos? Não quero símbolos...

Queria — pobre figura de miséria e desamparo! —

Que o namorado voltasse para a costureira.

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terça-feira, 18 de setembro de 2007

Ondas do Atlântico Sul...


As ondas
As ondas quebravam uma a uma
Eu estava só com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só para mim.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Saudades do mar de Recife, saudades das curtas férias...

De volta à rotina diária, é bom começar o dia com uma imagem daquelas ondas magníficas (fotografadas pela diva Flower) e com as palavras da nossa poeta e diva inspiradora Sophia de Mello Breyner Andresen (mais poemas aqui)

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sábado, 4 de agosto de 2007

Tempo de delicadeza


Pois é... O Zeca Baleiro musicou o poema do e.e.cummings (dois posts abaixo), traduzido para o português pelo Haroldo de Campos. Bom pra ler e ouvir em um dia de sábado, pra pôr a alma em paz e sonhar com tempos de delicadeza... Por que não?

Para ouvir, clique aqui (a música é a quinta da lista).

Nalgum Lugar

nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente,de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas

E.E. Cummings
(tradução: Augusto de Campos)


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segunda-feira, 30 de julho de 2007

"Storm, blow me from here"




De volta de Manguinhos, com 4 horas de espera em aeroporto, já mergulhada no trabalho. Não é vida para uma Diva... muito menos para uma Mean Diva! Então, vou me consolar olhando as fotos que tirei no domingo, quando o mar estava ressaqueado, muito batido pelo vento sul que soprava incessantemente.
Para acompanhá-las, escolhi os versos de Maya Angelou. Quem quiser saber mais sobre essa grande poeta americana (ou ler mais alguns de seus poemas), é só clicar aqui.

I've got the children to tend
The clothes to mend
The floor to mop
The food to shop
Then the chicken to fry
The baby to dry
I got company to feed
The garden to weed
I've got shirts to press
The tots to dress
The can to be cut
I gotta clean up this hut
Then see about the sick
And the cotton to pick.

Shine on me, sunshine
Rain on me, rain
Fall softly, dewdrops
And cool my brow again.

Storm, blow me from here
With your fiercest wind
Let me float across the sky
'Til I can rest again.

Fall gently, snowflakes
Cover me with white
Cold icy kisses and
Let me rest tonight.

Sun, rain, curving sky
Mountain, oceans, leaf and stone
Star shine, moon glow
You're all that I can call my own.

Maya Angelou. Woman work.

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terça-feira, 24 de julho de 2007

Uma praia...



Mnguinhos, no litoral norte do Espírito Santo, é a praia de três das MD's. Para nós, aquelas areias e o mar sem fim são ponto de origem, lugar para onde retornamos sempre que precisamos de fôlego novo para continuar a tocar a rotina das nossas vidas, ou simplesmente quando nossas retinas desejam a imagem das águas. Ali aprendemos, desde muito crianças, que liberdade é a possibilidade de sentar em uma varanda e contemplar por horas a fio o mar.

No próximo final de semana estaremos em Manguinhos, comemorando o aniversário de uma de nós, a Diva Wizard (Coca). Que seja este mais um intervalo alegre e de merecido descanso e diversão!!!

Inspiremo-nos, mais uma vez, na Diva Sophia:

Liberdade


Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

Sophia de Mello Breyner Andresen

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sexta-feira, 20 de julho de 2007

The hollow men

I

We are the hollow men
We are the stuffed men
Leaning together
Headpiece filled with straw. Alas!
Our dried voices, when
We whisper together
Are quiet and meaningless
As wind in dry grass
Or rats' feet over broken glass
In our dry cellar

Shape without form, shade without colour,
Paralysed force, gesture without motion;

Those who have crossed
With direct eyes, to death's other Kingdom
Remember us -- if at all -- not as lost
Violent souls, but only
As the hollow men
The stuffed men.

[…]

IV

The eyes are not here
There are no eyes here
In this valley of dying stars
In this hollow valley
This broken jaw of our lost kingdoms

In this last of meeting places
We grope together
And avoid speech
Gathered on this beach of the tumid river

Sightless, unless
The eyes reappear
As the perpetual star
Multifoliate rose
Of death's twilight kingdom
The hope only
Of empty men.

[…]

This is the way the world ends
This is the way the world ends
This is the way the world ends
Not with a bang but a whimper.


[Os Homens Ocos

I

Nós somos os homens ocos

Os homens empalhados

Uns nos outros amparados

O elmo cheio de nada. Ai de nós!

Nossas vozes dessecadas,

Quando juntos sussuramos,

São quietas em inexpressas

Como o vento na relva seca

Ou pés de ratos sobre cacos

Em nossa adega evaporada

Fôrma sem forma, sobra sem cor,

Força paralisada, gesto sem vigor;

Aqueles que atravessaram

De olhos retos, para o outro reino da morte

Nos recordam — se o fazem — não como violentas

Almas danadas, mas apenas

Como os homens ocos

Os homens empalhados.

[...]

IV

Os olhos não estão aqui

Aqui os olhos não brilham

Neste vale de estrelas tíbias

Neste vale desvalido

Esta mandíbula em ruínas de nossos reinos perdidos

Neste último sítio de encontros

Juntos tateamos

Todos esquivos à fala

Reunidos na praia do túrgido rio

Sem nada ver, a não ser

Que os olhos reapareçam

Como a estrela perpétua

Rosa multifoliada

Do reino em sombras da morte

A única esperança

De homens vazios.

[...]

Assim expira o mundo

Assim expira o mundo

Assim expira o mundo

Não com uma explosão, mas com um gemido.]

T. S. Eliot. “The hollow men”. Em: Obra completa. Vol. I. – Poesia. Tradução de Ivan Junqueira. São Paulo: Arx, 2004. p. 176-183.

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"A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua"

Andei afastada do Mean Divas nos últimos dois dias. Fui nocauteada por um rotavírus, que me deixou de cama, completamente sem condições de encontrar o que dizer diante do horror que tomou conta de nós na terça-feira à noite.

Para melhorar a minha situação, meu computador morreu. Os especialistas acham que foi a bios da placa mãe. Pode ser. Para mim, morreu, já que não posso mais ter esperanças de utilizá-lo para o que quer que seja...

O fato é que o rotavírus e o computador me silenciaram em um momento em que, se não temos nada de original para dizer, devemos ao menos procurar palavras que expressem a nossa estupefação diante do escárnio que reina absoluto no país. Não preciso explicar do que estou falando, porque o post de Berná já traz o link para o vídeo em que um ministro de estado expressa com gestos eloqüentes o que têm sido a principal função do governo que ele representa em relação ao povo que os elegeu. Nessa hora não adianta dizer que não contaram com o meu voto, mas é sempre bom deixar isso publicamente declarado, porque, democracia à parte, não há como respeitar essas pessoas que não mostram um pingo de sensibilidade pela tragédia que vitimou centenas de brasileiros.

Como diria o poeta Drummond,


Este é tempo de partido
tempo de homens partidos.

Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.

Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
[...]

Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!

Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.

C. D. de Andrade. "Nosso tempo". Em: Antologia Poética. SP: Record, 2001. p. 160-161.

E, lembrando dos versos de Drummond, acabei recordando outros versos de sentido próximo, que cabem bem para descrever o absurdo momento vivido por nós. No próximo post vocês verão por que eles traduzem tão bem o vazio em que nos encontramos.

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segunda-feira, 16 de julho de 2007

"i utter lilac shrieks and scarlet bellowings"

Atendendo a um pedido de Berná, mais um pouquinho de e.e.cummings para vocês.
(Quem se entusiasmou e quiser ler outros poemas dele, basta clicar aqui)

my mind is

a big hunk of irrevocable nothing which touch and taste and smell

and hearing and sight keep hitting and chipping with sharp fatal

tools

in an agony of sensual chisels i perform squirms of chrome and ex

-ecute strides of cobalt

nevertheless i

feel that i cleverly am being altered that i slightly am becoming

something a little different, in fact

myself

Hereupon helpless i utter lilac shrieks and scarlet bellowings.

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At the end of the day...


No fim de um dia horrível, arruinado por um aborrecimento totalmente idiota, encontrei umas fotos em que estou com meu pai.
De repente, senti uma saudade imensa. Não exatamente saudade dele, porque esse é um sentimento que me acompanha desde que ele morreu e ao qual já estou acostumada, mas saudade da sensação de amparo, de proteção, de saber que alguém cuida de você.
Saudade de colo.
Não me lembro de como era ficar no colo do meu pai, mas tenho várias fotos como essa, que deixam evidente como ele gostava de ficar comigo. E sei que não era só a mim que ele gostava de ter no colo, porque lembro bem como ele ficava feliz quando pegava a minha sobrinha no colo e ia com ela ver as flores no jardim de casa...
Nesses momentos, o homem sério, calado, se transformava, abria um sorriso largo, abandonava as preocupações (muitas) que o acompanhavam.
Ter uma criança no colo também fazia muito bem a ele.
Por toda essa saudade, pela falta que sinto dele, pela vida que parece, às vezes, uma sucessão de momentos tolos e estressantes, fui buscar um pouquinho de inspiração em um grande poeta que já citei por aqui. Não é consolo, mas ajuda:

you shall above all things be glad and young

For if you're young,whatever life you wear

it will become you;and if you are glad

whatever's living will yourself become.

[…]

I'd rather learn from one bird how to sing

than teach ten thousand stars how not to dance

e.e.cummings

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segunda-feira, 9 de julho de 2007

Campos de altitude...


Por vezes apenas com a ajuda dos poetas conseguimos expressar alguns dos sentimentos que experimentamos quando nos encontramos em algum lugar muuuuuito especial... A foto foi feita nos chamados "campos de altitude", na Serra da Mantiqueira, região de Itatiaia (Parque nacional das Agulhas Negras). E o poema é de Shophia de Mello Brenner Andresen, portuguesa, que se pode conhecer melhor aqui.

Bebido o luar, ébrios de horizontes,

Julgamos que viver era abraçar

O rumor dos pinhais, o azul dos montes

E todos os jardins verdes do mar.

Mas solitários somos e passamos,

Não são nossos os frutos nem as flores,

O céu e o mar apagam-se exteriores

E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

Por que jardins que nós não colheremos,

Límpidos nas auroras a nascer,

Por que o céu e o mar se não seremos

Nunca os deuses capazes de os viver.



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sábado, 7 de julho de 2007

Um pouquinho de romantismo...


Nada como uma pitadinha de romantismo para começar bem um loooongo final de semana...

Soñe que el fuego helaba
Soñe que la nieve ardia
Y por soñar lo impossible
Soñe que tu me querias
(anônimo)

Have a nice weekend, you all!!!


P.S. And, yes, "We'll always have Paris", whatever and wherever that is...

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