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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O silêncio dos violões

Não fui uma criança de muitos desejos. Claro, como todo mundo, de vez em quando eu queria ganhar alguma coisa especial – geralmente um conjunto de panelinhas para as muitas brincadeiras de cozinhadinho no quintal de casa (acho que esgotei, na infância, minha vocação para a culinária…), mas essas vontades eram quase sempre satisfeitas dentro de algum tempo.

Eu me lembro, porém, de ter, muito cedo, um imenso desejo de aprender a tocar violão. Como sou sete anos mais nova do que minha irmã mais próxima, desde muito pequena eu assisitia às aulas de violão que ela tinha lá em casa. E morria de vontade de aprender também.

O maior obstáculo, evidentemente, era o meu tamanho. Precisava crescer o suficiente para “abraçar” o violão com a mão direita. O braço esquerdo precisava ser longo o bastante para alcançar a extremidade do braço do instrumento e montar os acordes. Tive, portanto, que esperar. E, na minha perspectiva infantil, essa foi uma espera longa e interminável.

Um dia, porém, chegou a minha vez de sentar no sofá da sala de televisão, com o violão no colo, e receber as primeiras instruções do mestre Maurício de Oliveira. Com infinita paciência ele me ajudou a juntar os 3 dedinhos da mão direita e me ensinou a tocar o primeiro tipo de acompanhamento que se aprende: zum-pa-pa-zum-pa-pa-zum… uma valsinha. Passei algum tempo treinando, com a mão direita, a alternar entre o toque do polegar, na segunda corda de cima, e dos três dedos juntos, nas cordas de baixo.

Quando demonstrei algum controle sobre o ritmo, o professor passou à lição mais difícil: os dois acordes que “comporiam” a primeira música a ser tocada. Com um enorme esforço para os meus dedos pequenos, apertei as cordas do lado esquerdo para formar o Lá maior e o Mi maior. Doía, mas isso não era o suficiente para conter a minha vontade de aprender. Demorou um pouco, mas a persistência trouxe consigo a devida recompensa: dentro de algum tempo eu conseguia trocar de um acorde para o outro na mão esquerda, enquanto, com a direita, mantinha o ritmo da valsinha: zum-pa-pa-zum-pa-pa-zum…

Por fim, o último elemento precisava ser integrado: a voz. Afinadinha, comecei a cantar: Serenô, eu caio, eu caio. Serenô, deixai cair. Serenô da madrugada não deixou meu bem dormir. E assim, ao final de uma aula, comecei a tocar violão. A alegria foi indescritível. De repente eu também comecei a fazer algo que minhas irmãs maiores também faziam (muito melhor do que eu, mas isso não importava). Começamos, em família, a tocar juntas algumas músicas mais simples. A cantoria era animada. Meu pai sempre entrava fazendo a segunda voz.

As aulas continuaram. E a disciplina aprendida com o violão é algo que até hoje me acompanha. Quando se tem 6 ou 7 anos e se aprende a passar algumas horas treinando escalas para garantir que os dedos tenham a agilidade necessária para produzir os sons, fica bem mais fácil lidar com outras muitas circunstâncias da vida que exigem dedicação, paciência e concentração.

Aos poucos, Maurício começou a me introduzir ao violão clássico. Ainda antes de aprender a ler notação musical, eu já tinha um caderno pautado em que ele desenhava os acordes necessários para que eu conquistasse o meu segundo grande feito musical: solar o “Romance de Amor”. Quando isso aconteceu, mais uma emoção imensa, porque, na companhia da minha irmã, era possível tocar uma música belíssima em duas vozes.

As lembranças de Maurício são muitas, todas felizes ou peculiares. Lembro, por exemplo, de que ele sempre se vestia de branco. Anos mais tarde, lendo os famosos versos de Drummond – Ele ia de branco pela rua cinzenta – pensei imediatamente: como Maurício. Era uma tolice em relação ao poema, claro, mas a roupa branca era um traço do mestre.

Lembro das muitas vezes em que, diante de uma nova partitura e ainda meio insegura na leitura da duração das pausas e notas, eu dava um jeito de fazer com que ele tocasse primeiro para eu ouvir. Como sempre tive um ouvido muito bom para música, quando chegava a minha vez, eu tentava reproduzir a duração correta, a partir do que havia ouvido. Ele sabia que era isso que eu estava fazendo e comentava: é para você ler a partitura, não para tocar de ouvido!

Lembro das tardes de sábado, quando um grupo dos alunos de Maurício se reunia para ensaiar. Éramos umas sete pessoas, de idades e habilidades com o violão muito variadas. Todos nós, porém, tínhamos a responsabilidade de solar uma música. A minha era a Serenata, de Schubert. É difícil descrever a alegria e o prazer de ouvir, saindo dos meus dedos e com o acompanhamento de todos os outros violões, uma música tão bela.

As lembranças são muitas. Provavelmente muito semelhantes às de tantos outros alunos que Maurício ensinou a tocar violão. Como eles, desde ontem à tarde, perdi um mestre.

Hoje, os violões capixabas estão em silêncio. Mas a música de Maurício vai permanecer viva nos muitos violonistas que ele formou.

Fica aqui registrado o meu adeus ao mestre, com carinho.

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terça-feira, 31 de março de 2009

Meio triste hoje…

Hoje pela manhã, às 7:30 da matina, bateu aqui no nosso portão um “micro-cãozinho”.

Parecia filhote de pastor alemão, mas estava coberto de pulgas e parecia ter uma das patinhas queimadas pois não tinha pelo no local.

Pois bem, deixamos o bichinho entrar, não conseguimos dar-lhe leite ou pão molhado no leite, mas o bichinho se divertia em andar pelo jardim e em deitar aqui no chão da cozinha.

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Tivemos que sair para Vitória (eu a trabalho) e ninguém ficou em casa. Nossa intenção era tratar do bichinho e encontrar-lhe um lar, já que não ficaríamos com ele. Colocamos água, leite, pão… e deixamos o bichinho aqui fora.

Assim que pude (as 15h), voltei para casa, parando na padaria daqui de Manguinhos (Serra,ES) para colocar um anúncio que eu havia feito indicando que estavamos com um cãozinho aqui em casa.

Pois bem, cheguei aqui e não mais encontrei o bichinho!

Chamei, procurei, varri o quintal e nada… Acho que ele deu um jeito de fugir por alguma greta do portão da frente. Enfim, confesso que fiquei meio desapontada. No fundo, no fundo, acho que pensava em ficar com ele…

Fica mais uma fotinho dele que tirei com o celular…

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Pulguentíssimo, mas fofo… agora é torcer para que quem pegue, vá cuidar bem dele!

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domingo, 11 de janeiro de 2009

Lua cheia

Blue moon
You saw me standing alone

Without a dream in my heart
Without a love of my own...



Cresci ouvindo e cantando essa música. Até hoje, quando vejo uma lua cheia nascer sobre o mar, lembro imediatamente da melodia. Aí, é impossível conter a tentação de cantarolar os versinhos tão conhecidos.
Como hoje é dia de lua cheia aqui em Manguinhos, resolvi presentear nossos Mean readers com uma foto dessa lua tão especial.

Enjoy!!!

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Hummm.. esqueci....

image É ela! Dory, a primeira e única!

Outro dia vi que estavam reprisando o filme na TV e hoje pela manhã encontro um post sobre ela no blog "Querido Leitor " da Rosana. Imediatamente me lembrei que há tempos eu queria fazer um post-homenagem a Dorothy aqui no Mean Divas! Há tempos, vírgula, acho que vai ANO nessa intenção...

De qualquer maneira, aproveitei o ensejo e cá está uma homenagem minha a esta inquestionável DIVA "peixesca" do filme "Procurando Nemo".

A comediante Ellen DeGeneres é quem tem um desempenho inesquecível dublando a voz vacilante da eterna otimista Dory (que fala baleiês...) e é um peixe da espécie blue tang.

Essa foto dai de baixo é a de um Blue Tang tal qual nada nos aquários reais... Uma vez bióloga, sempre bióloga!

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Por que esse encanto com a Dory ?

Porque se eu fosse peixe, certamente eu seria a Dory... Impossível alguém se esquecer de mais coisas do que eu!

Shaaaammmme on meeee!!

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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Uma perda...

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Faltava um post meu. Afinal era eu que convivia aqui no dia a dia com a bola de pelos. Talvez por isso tenha me sido tão difícil fazer esse post.

Pois é. Perdemos o Pom Pom.

Um companheiro da casa , meu e, principalmente, da minha mãe, por mais de 15 anos.

Pompom não era um simples cãozinho, sempre teve a inabalável certeza de que gente era e agia como se assim fosse. Chegava a ser engraçado aquela bolota de pêlos de uns 30 cm de altura que tinha decisão própria sobre uma série de coisas. Acho que , se tivesse que encontrar algumas palavras para descrever o bichinho essas seriam: FIDELIDADE, PERSONALIDADE e MAU HUMOR.

Sim , ele era mal humorado, bem mal humorado. Grumpy. Perturbou o Whiskey (um cocker meu) por 12 anos seguidos. Puxava as orelhas do bicho, mordia-lhe as pernas, enfim, era de uma "grumpice" única. Pompom logo, e sem dificuldades, rotulava as pessoas. Não existe essa babaquice de ser politicamente correto no mundo canino. Se não gostasse, não gostava e ponto.

Me lembro quando ele foi roubado e quase miraculosamente recuperado uns 15 dias depois. Quando o encontramos ele já não comia havia dias e ficou transido de felicidade quando nos viu.

Foi ficando velhinho. Perdeu a audição, parte da visão (tomada pela catarata), começou a ter alguns problemas motores e passou a ter uma fobia de subir escadas. Como ele dormia no quarto da minha mãe , de quem era um guardião e seguidor inseparável, havia diariamente o ritual de carregarmos (ela ou eu, quando ela viajava) o cão escada acima e escada abaixo. Acho que esse ritual se prolongou por mais de um ano.

No fim, nada mais havia nele que funcionasse direito: rins, fígado, coração, pulmão, olhos ou ouvidos. Tomava muitos remédios diariamente e o equilíbrio entre os remédios era um problema... Nas últimas semanas de vida passou a cair subitamente até que veio o AVC que o paralisou no lado esquerdo do corpo.

15 anos caninos = 105 anos humanos e muita, absolutamente MUITA relutância em nos deixar!

No fim, havia o olhar. Um olhar de súplica que me cortava o coração.

Os cachorros especiais são assim: mais que humanos.

Eu trocava fácil meia dúzia de gente mediana por um Pompom.

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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Uma aranhinha subiu na torneira de água...



Para finalizar a sessão nostalgia que eu comecei ontem com o post sobre o livro do Malory, e fazendo uma daquelas relações malucas que de vez em quando acontecem, resolvi relembrar uma música que marcou a minha infância.

The itsy bitsy spider went up the water spout.
Down came the rain, and washed the spider out.
Out came the sun, and dried up all the rain
And the itsy bitsy spider went up the [water] spout again.
Wikipedia
Qual a relação? Ora, não é evidente? The Lady of Shalott passava os dias tecendo em sua torre. O que fazem as aranhas? Tecem suas teias. Pronto!
Viram como é fácil passar de um poeta vitoriano a uma canção infantil norte-americana sem qualquer ponto de parada pelo meio?
Tem dias que nem eu suporto a loucura da minha cabeça!!!

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terça-feira, 11 de dezembro de 2007

UIA!!!!!!!!!!!!!

Quem, como eu, teve a infância povoada de desenhos japoneses (meu favorito era SAFIRI, a Princesa e o Cavaleiro, lembram?!) certamente tem no topo da lista SPEED RACER.
E qual não foi a surpresa desta Diva que vos tecla ao saber que um de nossos DIVOS de plantão vai ser o RACER X. See for yourselves:


É, 2008 promete...

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Memories...

Quando eu era pequena, meu pai me contava sobre o coqueiro famoso da praia de Pajuçara, o Gogó-da-Ema. Era um coqueiro deformado, que lembrava o pescoço de uma ema. Dizem que os alagoanos até hoje se lembram desse coqueiro...

Amanhã vou para Maceió. Sei que vou procurar em vão por esse coqueiro na praia, mesmo sabendo que ele foi levado pela fúria das águas, em 1955... Terá restado, ali, algo do Gogó da Ema, além de lembrancinhas para turistas?


Não sei por quê, sempre achei essa história triste...

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